pessoas de costas se abraçando

Meu amigo é meu psicólogo

Muitas pessoas pensam que psicólogo é coisa para doente ou que conversar com o amigo já é o suficiente para manter a mente em dia. De fato, desabafar ajuda e muito a organizar todas as nossas ideias e exerce um efeito bastante positivo, até mesmo em nossa estrutura neuroquímica. Quando conversamos e expomos algo que nos incomoda, verbalizamos nossos sentimentos e, com isso, acabamos dando novos significados aos nossos problemas, ajudando o cérebro a encontrar novas soluções para lidarmos de melhor maneira com aquilo que nos faz mal.

Quando conversamos sobre algo que nos aflige com um amigo, acontece uma troca de experiência. O amigo, na tentativa de ajudar a solucionar o problema, usa toda a sua bagagem de conhecimentos e vivências, dando o famoso “conselho”. Obviamente, esta troca de experiência é absolutamente normal, natural e saudável. Esta empatia é essencial para solidificarmos nossas relações e deve fazer parte do nosso dia-a-dia.

Mas será que quando temos um problema mais sério, essa ajuda pode ser, realmente, suficiente? Existe uma diferença entre conversar com alguém próximo da gente e um profissional que pode ser explicada através de alguns conceitos descritos em Psicologia.

pessoas na mesa rindo

Senso Comum

Quando usamos expressões como “rapaz complexado”, “menina histérica” ou “ficar neurótico”, estamos aplicando terminologias advindas de um setor específico do saber humano para tentarmos explicar conceitos e situações mesmo sem ter um absoluto conhecimento e embasamento sobre o que, de fato, todas estas expressões significam. No caso deste exemplo, estamos nos apropriando de termos usados em psicologia. Isso nada mais é do que Senso Comum.

O senso comum acaba por se apropriar do conhecimento produzidos por outros setores da produção do saber humano. Com isso, há uma mistura e uma reciclagem destes outros saberes mais especializados, reduzindo a uma teoria simplificada que produz uma determinada Visão-de-Mundo.

Apesar do senso comum não ter conhecimento científico sobre as terminologias usadas pela psicologia científica, usam os termos estando próximo do conceito real e todos acabamos por entender estas expressões por se ter uma breve noção.

Psicologia Ciêntífica

Para se caracterizar um estudo como científico, precisa-se de um objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas, processo cumulativo do conhecimento e objetivo. Todas estas características é que tornam a ciência superior ao senso comum. Suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção.

A psicologia é uma ciência recente (final do século XIX), apesar de já aparecer há muito mais tempo na filosofia, enquanto preocupação humana. Por ser recente, conter teorias inacabadas e definitivas, a psicologia encontra dificuldade para uma clara definição de objeto.

Em ciências como astronomia e biologia, por exemplo, é possível isolar o objeto de estudo, já que os objetos encontram-se “fora de nós mesmos”, digamos assim. Já na psicologia, há uma dificuldade maior, pois o cientista (ou pesquisador) confunde-se com o objeto de estudo, tendo em vista que o principal foco do estudo da psicologia é o homem.

A definição de “homem” é ampla. Há várias crenças sobre o que é o homem e isso dificulta ainda mais os estudos na área. A psicologia estuda os “diversos homens”, conhecidos pelo conjunto social. Assim, a psicologia hoje caracteriza-se por uma diversidade de objetos de estudo.

Por tudo isso, atualmente, a psicologia recebe o nome de “ciências psicológicas” embrionárias e em desenvolvimento.

Diferença entre o amigo e o psicológo

Diante de um pequeno resumo do significado de senso comum e de psicologia científica, fica claro a diferença entre a opinião de um amigo sobre qualquer aspecto da sua vida e a leitura de algum problema relatado a um psicólogo.

O psicólogo passou por um processo onde estudou o homem e todas as suas expressões. Desde as visíveis, como os nossos comportamentos, às invisíveis, como nossos sentimentos. Também as singulares, que buscam explanar questões como “por que somos?” e “o que somos?”, às genéricas, com questionamentos como “por que somos todos assim?”.

Quando estamos lidando com transtornos da mente, traumas, conflitos graves, enfim, o senso comum não é capaz de trazer o conhecimento necessário para tratar e curar qualquer desordem emocional.  Sendo assim, somente alguém com todo este embasamento e que consiga se distanciar do problema apresentado é que tem total aptidão e capacidade para ajudar a tratar das nossas doenças psíquicas.

Por isso, vamos entender que nossos amigos são apenas nossos amigos, pessoas que nos querem o bem, obviamente, mas que não possuem um arsenal específico para nos ajudar a curar aquilo que nos aflige. Mas, sem dúvidas, contar com a ajuda deles pode ser essencial para nos ajudar a sair de qualquer problema!

Atenção! Este blog contém relatos, experiências e informações pessoais da Autora sobre a ansiedade. Nenhum dos conteúdos apresentados neste blog substituem a ajuda de um profissional.

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