Síndrome do pânico: progressos e recaídas

Desde quando comecei a fazer tratamento para transtorno de ansiedade tenho muito que me orgulhar dos progressos que já tive em relação às crises de síndrome do pânico, no entanto, conviver e lutar contra elas ainda faz parte do meu dia-a-dia.

As primeiras crises

Já contei no post de quando descobri que tinha ansiedade como tudo aconteceu. Logo que as crises começaram a surgir, eu era tomada por um sentimento forte de necessidade de segurança. Estava recém casada, mas a sensação que tinha era de que a casa que eu morava não segura para mim. Eu precisava estar na companhia dos meus pais. Precisava estar na casa em que havia vivido minha vida toda para me sentir protegida.

Quando as crises vinham, o desespero tomava conta. Não importava a hora do dia – na maioria das vezes elas aconteciam de madrugada – eu tinha que ir correndo para casa dos meus pais. Quantas madrugadas saí de pijama, correndo pra lá (nós moramos perto). Mesmo com muito medo e com todo o mal-estar que estava sentindo. Muitas vezes ligava desesperada para a casa deles e minha mãe tinha que vir me buscar. Não conseguia ter forças de ir sozinha. Não sabia o que pensar, o que sentir, como agir… Queria que meu esposo fosse comigo, mas não sentia confiança nele. Mesmo ele me dando apoio e suporte 100% das vezes. Ao mesmo tempo, não queria incomodá-lo, já que ele precisava descansar para continuar viver a vida no dia seguinte.

Me lembro até hoje de quando chegava na casa dos meus pais, me sentava no sofá chorando muito, tremendo, com falta de ar. Eles, em silêncio, ficavam me olhando e tentando me confortar o máximo que podiam. Lentamente aquela sensação ía se diluindo e minha mente dizia: “Agora sim, você está segura. Aqui é o seu lugar!”.

Foi difícil…

Porém, dentro de mim havia uma guerra, uma luta entre a razão e a emoção. O sentimento de culpa por deixar meu marido sozinho em casa. O medo do que ele iria pensar de mim e que não suportaria conviver comigo passando por isso. Tinha muito medo, também, que ele associasse tudo aquilo à infantilidade e fragilidade. Que isso significasse uma impossibilidade enfrentar a vida ao lado dele. Era, realmente, terrível passar por aquilo. Eu chorava muito! Constantemente, sentia como se estivesse caindo em queda livre em um abismo e que não havia como parar.

Eu dormia na casa dos meus pais, mas no dia seguinte acordava com uma “ressaca moral”. Sentia vergonha e me decepcionava comigo mesma. Aquilo reforçava o meu estado e o ciclo, então, começava a se formar novamente até chegar ao próximo ápice de estresse que culminava em outra crise depois algum tempo.

Estabilidade emocional começando a surgir

Conforme o tempo foi passando, fui percebendo por mim mesma e, também, conversando muito com todos que o melhor era tentar segurar ao máximo as crises dentro da minha casa. Até o momento, nunca havia tido nenhuma crise fora de casa. Eram sempre nas madrugadas solitárias e ansiosas que elas apareciam. Comecei, aos poucos, a trabalhar dentro de mim que o melhor lugar para eu estar era a minha casa e que nela eu estava, sim, segura. Mesmo que precisasse ser socorrida, havia meios de todos me ajudar.

No início foi muito difícil. Às vezes eu ficava metade da noite aqui e o resto na casa dos meus pais. Outras vezes só nos falávamos pelo telefone para que eu fosse me acalmando. Até que, finalmente, fui pegando confiança e me sentindo melhor quando ficava em casa e pensar em sair daqui já era o oposto de antes, a esta altura, me fazia mais mal do que bem.

A medida que o tempo foi passando e as medicações começando a agir, minhas crises foram ficando cada vez mais espaçadas e amenas. Duravam em torno de 5 minutos, no máximo, quando apareciam. Comecei a entender melhor como elas funcionavam e a ter maior percepção sobre os “gatilhos” que faziam disparar os processos de crises.

Neste meio tempo já estava fazendo terapia, o que facilitava bastante a me manter com as “emoções em dia” e isso era fundamental para que as crises começassem a sumir, já que no consultório eu externava todas aquelas aflições e preocupações que estavam diariamente permeando meus pensamentos e, com isso, o nível de estresse reduzia drasticamente e o acúmulo de emoção negativas, também, começava a desaparecer.

Recaídas da síndrome do pânico e reerguidas

Em todo o tempo que estive em tratamento psicológico, comecei a dominar minhas crises e aprender que eu não precisava temer, pois aquilo tudo era um processo mental e que sempre iria passar. Porém, ao parar com as medicações, aos poucos todos os sintomas de ansiedade, depressão e pânico foram voltando.

Com a retirada da medicação, podia sentir meu corpo como se fosse constituído por camadas. Era como se tivesse sido retiradas de mim as camadas mais “grossas”, que estavam me protegendo e que agora eu estava totalmente exposta e fragilizada. Com isso, o medo voltou a dominar constantemente. Era medo de absolutamente tudo, de comer, de me exercitar, de ficar doente, de morrer, de viver, de ficar sozinha, de dormir, de ter pesadelos, muito medos, mesmo! Novamente, comecei a entrar em estados de estresse acumulativo que desencadeavam em crises de pânico.

Nesta fase eu ficava paralisada. Não conseguia sair de casa e sentia que só minha mãe era capaz de me ajudar. Só conseguia sentir confiança nela e queria que ela estivesse o tempo todo comigo. Fazia ela vir passar os dias aqui, tínhamos que dormir juntas e eu começava a me desesperar quando ela precisava ir embora e quando ía embora, eu precisava do meu marido o tempo todo comigo.

Eu não fazia nada sozinha. Até para ir ao banheiro e tomar banho ele precisava, muitas vezes, estar comigo. Eu estava em uma fase quase vegetativa, a qual não conseguia sair da cama para fazer nada de tanto medo que sentia. Tinha medo até de andar, pensando que pudesse tropeçar, cair de mal jeito e morrer. Sério!

Como estou hoje

Enfim, voltei a me medicar e com o passar do tempo tudo foi se normalizando, novamente. Comecei a não precisar mais das pessoas grudadas 24 horas por dia comigo e fui cada vez mais sentindo a minha casa o lugar mais confortável, aconchegante, acolhedor e seguro do mundo. Aos poucos fui conseguindo pegar confiança no meu marido e em mim mesma até não precisar mais estar na companhia dos meus pais pra me sentir protegida.

Ainda hoje faço uso de remédios mas, mesmo assim, sempre que passo por algum momento muito estressante, acabo me desestabilizando a ponto de ter pequenas crises de pânico. Porém, posso dizer que é uma grande vitória poder passar por elas praticamente sozinha e conseguir me reerguer sempre, sem perder as esperança e a em mim mesma.

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